1º volume da obra poética de António Ramos Rosa

O primeiro volume da Obra Poética de António Ramos Rosa (1924-2013), que reúne os poemas publicados de 1958 a 1987, é editado pela Assírio & Alvim e apresentado no próximo dia 17 de outubro, na Biblioteca Nacional de Portugal, no âmbito do I Congresso dedicado ao autor.

A edição é organizada e revista pelo poeta Luís Manuel Gaspar, com a colaboração da viúva do poeta, a poetisa Agripina Costa Marques, e da filha, Maria Filipe Ramos Rosa. No posfácio da obra, a investigadora do IELT Silvina Rodrigues Lopes afirma que, nos poemas do autor de “A Intacta Ferida”, “é muito nítida a importância das imagens de árvores e da palavra ‘árvore'”.

“Num dado momento ou numa longa maturação, a poesia de Ramos Rosa tornou-se expressão irreconciliável da luz e da sombra, do aqui e do retorno, do sentido e do sem-sentido. Porque as linhas do sem-sentido se cruzam e destecem o poema. Ramagens são dispersão, imagens moventes, imagens que se desprendem”.

“Será esse o essencial da poesia de Ramos Rosa: persistir na perplexidade diante do que se apresenta, abanar a árvore das imagens, para que estas se desprendam dos ramos (da ordem) e se alterem, independentemente do sentido, se alterem para que o tecido do poema não seja um muro de palavras”, afirma Silvina Rodrigues Lopes.

Da vasta obra poética, premiada, faz parte “A Nuvem Sobre a Página”, “Sobre o Rosto da Terra”, “Estou Vivo e Escrevo Sol”, “A Construção do Corpo”, “A Pedra Nua”, “Ciclo do Cavalo”, “O Incêndio dos Aspetos”, “Figuras solares”, “O que não pode ser dito” e “Génese seguido de Constelações”.

Além do Prémio Pessoa, António Ramos Rosa recebeu outros galardões, como o prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (1980), o Prémio P.E.N. Clube de Poesia (1981, 2006), o Prémio Jacinto do Prado Coelho (1987), o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989 e 2005), o Grande Prémio Internacional de Poesia, no âmbito dos Encontros Internacionais de Poesia de Liège (1990), o prémio Luís Miguel Nava (2005) e a Medalha de Mérito Cultural (2006).

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