Paisagem sem propriedades

Realiza-se no próximo dia 26 de novembro, no Colégio Almada Negreiros (sala 219), pelas 9h30, o colóquio Paisagem sem propriedades.

 “A abelha foi apanhada pela chuva: vergastadas, impulsos, fios de aguaceiros a enredá-la, golpes de vento a ferirem-lhe o voo. Deu com as asas em terra e uma bátega mais forte espezinhou-a. Arrastou-se no saibro, debateu-se ainda, mas a voragem acabou por levá-la com as folhas mortas.” É com estas palavras oraculares que a consideração final de Dr. Neto – no romance Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira – perfaz simbolicamente um caminho irremediável de destruição e queda. Mas a paisagem, lavada em “fios de aguaceiros” não imagina um cenário, não possui métodos, nem desígnios. A descrição da paisagem faz parte da dramatização de uma cena, um processo, um acontecimento. Por mais que a mística ou a lógica procedam a integrações da paisagem que, personificando-a, a pretendem totalizar, o verso de Alberto Caeiro “A natureza é partes sem um todo”, adverte para a importância de criticarmos os pressupostos dessa totalização. Em síntese: trata-se de partir de figurações da paisagem em alguma literatura para pensar a descontinuidade traçada pelo que nelas desfaz as vedações que as limitam.

O evento conta com vários convidados, entre eles: Elisabete Marques, Fernando Guerreiro, Golgona Anghel, Joana Matos Frias, Joana MelloJoão Oliveira Duarte, Mariana Pinto dos Santos, Nuno Crespo, Olivier Schefer, Paula Costa e Silvina Rodrigues Lopes.

 Cartaz do evento aqui e programa aqui. A entrada é livre.

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